
Sou uma criatura de "listas". Listo as coisas que preciso fazer, as decisões que preciso tomar, os assuntos que preciso contemplar, enfim, eu faço um monte de listas. E eu posso segui-las ou não. Para falar a verdade elas acabam sendo um lembrete das coisas que eu não consigo fazer, e não das que eu consigo. O inverso também é verdadeiro. Tudo depende do meu estado de espírito.
Planilhas, orçamentos "na ponta do lápiz"... nossa! Essas coisas são o meu inferno astral! Pois eu subverto tudo e me sinto culpada depois. É uma merda, isso sim!
Para uma advogada, que é um ser que vive com prazos a cumprir, ter esse pequeno probleminha, é ter na verdade um problemão. Para uma pessoa de assuntos regulatórios, isso é um pouco menos complicado, pois ainda que tenhamos prazos, e são puta prazos, quando os chefes (sim, os chefes da gente, nóis é tudu índio por aqui) perguntam "para quando se espera o registro do produto tal?", não é mesmo possível dar uma resposta concreta, pois apesar de existirem prazos de peticionamento, coisas assim, o resto é nebuloso, depende de um monte de fatores que nem cartomantes e o papa podem responder com precisão!
Acho que é por isso que eu gosto tanto de regulação: eu posso ir manipulando as minhas listas sem me sentir culpada.
Ah, mas eu já fiz a minha lista de objetivos para o meu quadragésimo ano de vida! Tudo o que eu quero fazer antes de completar quarenta e um anos. E já estou começando a batalhar por cada um dos ítens! Sim senhores! Eu tenho trinta e nove mas já digo a todo mundo que tenho 40. Acho 39 uma coisa meio chata, é meio véspera, um troço meio nada, meio alguma coisa, mas a coisa mesmo ainda não é.
Fiz uma lista imensa! Fiz um objetivo geral e um monte de específicos. Um pouco como num pequeno projetinho de pesquisa, onde o Objeto soy yo, e os objetivos tem a ver com o que eu desejo para mim neste ano que marca uma fase importante para toda mulher - sou uma pós-balzaqueana de fato e de direito. Não sou uma escrava do casamento, do lar, da família, das convenções de uma sociedade que coloca na função doméstica e familiar da mulher seu maior peso. Percebo que eu me construí de uma forma diferente, bem peculiar e aceito isso numa boa. Amo meu filho, amo meu trabalho, amo minha vida acadêmica, tenho metas a atingir, tenho problemas a solucionar e formas de solucionar esses problemas. Tenho questões internas a enfrentar.
Ser sujeito das minhas orações( e o centro das minhas ações) tende a assustar os homens em geral, assim como os assusta ser uma mulher que diz na cara dura que não quer mais se casar e nem cuidar de outro homem que não seja o próprio filho. Namorar é bom demais, ter uma relação estável é muito gratificante: aturar ronco et coetera et al... Já coloquei dois para escanteio, tô virando "cereal killer" nesse negócio (frosty flakes style, dois conheceram a marca do meu pé na bunda deles, um depois de sete anos e outro depois de dois, e sem ser chifrada! isso de acordo com eles...) e até agora não achei um homem que valesse o custo-benefício de um casamento. Mas que namorar é bom demais, lá isso é!
Talvez eu esteja apenas envelhecendo rabugenta, e na minha lista está "não me permitir ficar ranzinza!", e não sei se conseguirei isso.
Nas minhas listas eu coloco sempre coisas fáceis misturadas com coisas difíceis. Não entendo bem a lógica disso; preciso refletir mais a respeito. Mas vejam só, alguns passos eu já estou adiantando, e meu aniversário de quarenta anos é só no dia dois de fevereiro de 2010! Já dá para ir começando uns dois ou três ítens agora, e um eu já matei!
Me lembrem de fazer o balanço geral em 3 de fevereiro de 2011,tá?






